quarta-feira, 1 de junho de 2011

Casei-me com um vulcano

Numa tarde distante de minha adolescência estava num grupo de jovens um tanto distraída...Um dos rapazes começou a escrever letras gregas num quadro negro. Fiquei encantada. Que caracteres seriam aqueles? Com seu eterno ar professoral, o jovem acertou seus óculos e me deu uma aula de grego. Como desde sempre amei mitologia queria aprender mais e mais.
Logo descobri que o tal rapaz tinha muitos outros talentos: pintava quadros maravilhosos, jogava xadrez como poucos, discorria maravilhosamente sobre qualquer assunto. Infelizmente, era meio retraído diante de estranhos e tinha muitas outras manias esquisitas. Declarou-se em algum momento um parente daquele ser de orelhas pontudas da série que então fazia sucesso na Tv, o Spock. Acreditava-se um vulcano.
Depois de um pedido desajeitado de namoro, onde enumerou todas as possíveis dificuldades que passaríamos juntos, começamos uma longa jornada. Erramos e acertamos , tivemos dois filhos incríveis, nos entendemos e nos desentendemos muitas vezes. Foram muitos os desencontros que por fim nos separamos e seguimos nossos caminhos.
Entretanto nossos destinos pareciam ter sido ligados pelos deuses, talvez os gregos mesmos, e depois de vários percalços resolvemos nos casar de novo. Numa cerimônia meio hindu refizemos nossos votos diante dos amigos e dos filhos. Ele continua disputando o armário com os gatos para se esconder quando chega alguma visita e adorando séries com extraterrestres na Tv. Hoje tenho plena certeza de que casei-me com um vulcano. Talvez também não seja tão terráquea assim...



2 comentários:

Rebs disse...

Ele sempre cantava aquela música da Tetê Spíndola "meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas".

philgeland disse...

"Live long and prosper!"

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