quarta-feira, 2 de março de 2011

Perséfone e a romã


Ela acordara aquela manhã com a sensação de ter sonhado a noite inteira com flores estranhas que pareciam atraí-la. Logo algumas de suas amigas vieram vê-la e esqueceu-se dos sonhos. Gostaria de sair a passear sem rumo ,mas sabia que sua mãe sempre tão cuidadosa não gostava que perambulasse distraída. Já era quase uma mulher e Deméter, sua mãe gostava de mantê-la sempre por perto.
Entretanto naquele dia sentia uma necessidade incomum de se sentir livre e correr pelos campos. Decidiu desobedecer e convidou as amigas para com ela se embrenharem por novos caminhos. Estava viva e feliz. Do nada surgiram as flores de seus sonhos e ela lembrou-se. Lá estavam , com aqules olhinhos que pareciam chamá-la. Ao estender a mão para colher uma flor,o inesperado se deu: a terra se abriu debaixo de seus pés e dela surgiu uma magnífica carruagem com cavalos negros conduzida por um homem aterrorizador. Sentiu-se agarrada por braços de aço e tragada pela terra. Só consegui gritar pela mãe.
Ao chegar nas profundezas percebeu que estava no lugar de onde não se volta. Entretanto, depois de se acostumar com aquela luminosidade diferente, cheia de sombras, sentiu que não era tão perigoso assim. Olhou para aquele que a havia raptado cheia de curiosidade. Sabia de quem se tratava. Hades, o grande Deus dos mundos inferiores. O senhor dos mortos. Seu tio. Não sentiu mais medo.
Enquanto isto sua mãe, Deméter, movia céus e terra, deuses e mortais para encontrá-la sem sucesso algum. O tempo passava e ela se acostumando com a nova vida. Com este novo mundo.
Quando enfim a mãe devastou a terra deixando os mortais sem alimento e os deuses sem oferendas, Zeus, seu pai, resolveu interferir e pedir ao irmão que devolvesse a menina.
Mas Coré, havia sucumbido aos encantos de seu raptor e principalmente deste mundo subterrâneo onde era tratada como rainha. No momento da despedida Hades lhe ofereceu uma romã. Ora, todo mundo sabe que não se pode nem sentar, nem provar de alimento algum naquele lugar sob a pena de lá ficar preso pela eternidade. Ela tomou a romã nas mãos e fitando nos olhos aquele homem comeu algumas sementes.
Confusão no mundo dos deuses! Como resolver este impasse? Depois de muita discussão alguém sugeriu que ela passasse parte do tempo com a mãe na superfície e parte do tempo com Hades no mundo inferir. Assim se fez... Seis meses com um, sei com outro .
O certo é que de Coré ninguém mais ouviu nenhuma notícia, mas Perséfone, seu nome de rainha, ainda deu muito o que falar.
Até a Bela Adormecida sonhou com ela nos infindáveis anos em que dormiu...

4 comentários:

Monica disse...

Adorei! Então quer dizer que as trévas nos atraem e que as vezes queremos ficar lá? Pq só falamos de Perséfone? Essa sempre será minha dúvida. Monica

Cassia disse...

Monica querida, o que atraiu Perséfone foi a liberdade e o poder que tinha como rainha do mundo subterrâneo.Deixou de ser a filhinha da mamãe e passou a reinar...Muito bom!

minhoca disse...

Minha dúvida era se Perséfone realmente tinha se encantado por Hades, ou se ela só gostava do poder que ele havia dado a ela... eu li na internet que Afrodite tinha muita inveja dela, pois era tão linda quanto a própria Afrodite. Muito bom, Cassia! Bjs

Cassia disse...

Creio que Perséfone se encantou com Hades e consigo própria...Descobriu o poder que já tinha. Era bela como Afrodite e com ela dividiu Adônis.
Podemos pensar que são dois aspectos do feminino. Afrodite no mundo externo luminosa e resplandescente ; Perséfone nas profundezas do ser, com a beleza das sombras e do desconhecido. Não creio que Afrodite a invejasse, cada uma reinava soberana em seu mundo.

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