sábado, 30 de abril de 2011

Camelos também choram


Deserto da Mongólia, um dos lugares mais inóspitos da terra. Floresce neste fim de mundo uma família guiada pela gentileza, ternura e respeito em todas as ações. Respeito pela camela que dá a luz e rejeita seu filhote. Todos se preocupam com a situação e procuram soluções. Existe um ritual apropriado para fazer com que a mãe se recupere e amamente o pequeno filhote. Para tanto faz-se necessário buscar um músico que mora num povoado distante dali. Partem os mais jovens para tentar trazê-lo. Tudo é preparado e na amplidão gélida a canção que transforma é entoada. Choram os camelos e todos que assistem choram também, por se lembrar vagamente de algo esquecido, algo perdido que toca profundamente na alma. Deserto pode ser um lugar onde se desligou da essência. A vida sempre bota do afeto e cuidado com que a tratamos.

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