Há quase 20 anos assisti um filme que passou a fazer parte de minha estrutura. Lembro-me de me emocionar profundamente, chorar diante do sublime retratado na tela e amplificado pela trilha. Cinema Paradiso ocupa o primeiro lugar nos meus filmes prediletos. Há algum tempo comprei a versão estendida e guardei para ver no melhor momento. E o momento chegou. Como faz diferença ter hoje 50 anos! Aproximei-me mais do Salvatore adulto que retorna à sua cidade natal, rememora personagens de um tempo esquecido, revisita a paisagem que criou seu ser e reencontra seu primeiro e único amor. Compreendi melhor cada cena de reencontro e de recordação do que se foi. Nostalgica e calmamente se reconstitui uma vida. Sonhos, aspirações e decepções que acabam por construir o que nos tornamos. E o cinema, este imenso portal, como personagem central de uma jornada. Quanta vida naquela pequena sala! Quantas histórias! Maravilhoso Tornatore! Grazie!
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sábado, 25 de junho de 2011
Meu filme predileto
Há quase 20 anos assisti um filme que passou a fazer parte de minha estrutura. Lembro-me de me emocionar profundamente, chorar diante do sublime retratado na tela e amplificado pela trilha. Cinema Paradiso ocupa o primeiro lugar nos meus filmes prediletos. Há algum tempo comprei a versão estendida e guardei para ver no melhor momento. E o momento chegou. Como faz diferença ter hoje 50 anos! Aproximei-me mais do Salvatore adulto que retorna à sua cidade natal, rememora personagens de um tempo esquecido, revisita a paisagem que criou seu ser e reencontra seu primeiro e único amor. Compreendi melhor cada cena de reencontro e de recordação do que se foi. Nostalgica e calmamente se reconstitui uma vida. Sonhos, aspirações e decepções que acabam por construir o que nos tornamos. E o cinema, este imenso portal, como personagem central de uma jornada. Quanta vida naquela pequena sala! Quantas histórias! Maravilhoso Tornatore! Grazie!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Celebrando Freud

Há 155 anos nasceu uma figura que se tornou extremamente polêmica e que mudou o rumo da compreensão humana sobre a existência. Mais um golpe foi dado na arrogância natural de quem se considerava centro do Universo, coroa da criação e senhor de sua própria vontade. Como sua ideias foram amplamente disseminadas nos esquecemos da coragem necessária para enfrentar o status quo de sua época colocando uma instância desconhecida, o inconsciente no centro da discussão sobre a psique humana bem como a sexualidade com um de seus eixos principais.
John Huston filmou em sua homenagem um clássico: " Freud além da alma". O filme nos mostra os primórdios da psicanálise , quando foram feitas as primeiras descobertas sobre a possibilidade se se interferir na doença mental pela fala dos pacientes. Mostra como o jovem médico começou a esboçar os primeiros rudimentos de sua teoria, o que desembocou na criação da Psicanálise. Baseado num roteiro de Jean-Paul Sartre e com desenhos de Salvador Dali para ilustrar os sonhos, o filme é uma obra prima para celebrar a vida deste grande gênio que se não explica, instiga...
sábado, 30 de abril de 2011
Camelos também choram

Deserto da Mongólia, um dos lugares mais inóspitos da terra. Floresce neste fim de mundo uma família guiada pela gentileza, ternura e respeito em todas as ações. Respeito pela camela que dá a luz e rejeita seu filhote. Todos se preocupam com a situação e procuram soluções. Existe um ritual apropriado para fazer com que a mãe se recupere e amamente o pequeno filhote. Para tanto faz-se necessário buscar um músico que mora num povoado distante dali. Partem os mais jovens para tentar trazê-lo. Tudo é preparado e na amplidão gélida a canção que transforma é entoada. Choram os camelos e todos que assistem choram também, por se lembrar vagamente de algo esquecido, algo perdido que toca profundamente na alma. Deserto pode ser um lugar onde se desligou da essência. A vida sempre bota do afeto e cuidado com que a tratamos.
sábado, 16 de abril de 2011
Uma história bela e trágica

Tenho amigos muito queridos que sempre descobrem filmes preciosos. Um dos últimos que me indicaram e emprestaram foi Ágora. Creio que não houve nenhuma exibição pelos cinemas por aqui. Trata da história de Hypatia, uma filósofa, astrônoma e matemática que viveu em Alexandria no seculo IV , quando do avanço do Cristianismo. Uma mulher, filha de um dos homens mais cultos de sua época , que teve acesso à educação e posteriormente espaço para ensinar e divulgar seus conhecimentos. Sua curiosidade e espírito cientifíco impressionam. Vive na época em que as ideias cristãs começam a se disseminar, inclusive a proibição de que mulheres pudessem falar em público e ensinar. Perseguida e caluniada tem uma morte trágica, mas seu pensamento adiantado para seu tempo, sobrevive a ela. Como disse um querido meu, como estaríamos hoje se a humanidade pudesse ter contado com o talento de todos os seu membros e não só da metade deles por tantos séculos?
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sábado, 9 de abril de 2011
Eternas repetições

Um monge e um menino isolados numa paisagem de sonho. Assim começa " Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera". O nome já denuncia , o filme fala dos ciclos da vida e das impossibilidades humanas de transcender aos apelos de seus desejos. Apesar do isolamento os personagens são visitados por toda a força das paixões que movem a existência .
Permeado de conceitos budistas, mostra que a violência gratuita e aparentemente ingênua nunca ficará sem consequências e que o apego pode dar origem à destruição.
Contemplativo, por excelência, comove pela beleza e pela inevitabilidade do drama de estar-se preso indefinidamente numa roda de repetições.
sábado, 2 de abril de 2011
Sexo por Compaixão

O filme começa em preto e branco. Como é sem cor a vida das pessoas naquela árida aldeia perdida no nada. Uma comunidade estéril. A única criança ficou muda ao presenciar um suicídio. Dentro desta paisagem caminha Dolores, uma mulher profundamente apaixonada e devotada ao marido, que lhe abandona por ser ela boa demais. Generosa ao extremo, a todos ajuda : tira fotografias diárias de uma velha senhora presa ao leito, cuida da vaca de estimação de uma solteirona, conversa com carinho com a silenciosa criança. Sofre com a ausência do marido e busca respostas na igreja. O padre, entretanto, não consegue ajudá-la pois acaba por se irritar com tanta bondade e inocência.
A mulher resolve então que tem que descobrir uma forma de pecar. Quando ouve um marido traído chorar sua desilusão deita-se com ele para consolá-lo. Com seu novo nome, Lolita, passa a oferecer aos homens que por ali passam seu leito e compreensão. Esta entrega provoca grandes mudanças até que a cor e a vida retornem a fazer parte do cotidiano daquela aldeia.
Sensível e divertido, o filme subverte algumas certezas sobre piedade e ascetismo sexual. Aqui sexo pode até se tornar um portal para a "santidade".
sábado, 26 de março de 2011
Elsa e Fred

Ela, uma senhora não tão responsável, que como quase todas as mulheres mente a idade. Ele, um viúvo circunspecto e meio hipocondríaco, que venera a foto de sua esposa morta. Encontram-se em circunstâncias antagônicas. Ela havia batido no carro de sua filha e ameaçado o pequeno neto de morte se contasse o ocorrido. Com muito bom humor.
Assim começa um dos filmes mais tocantes que já vi. "Elsa e Fred - Um amor de Paixão". Numa idade em que esperamos que o amor não tenha lugar, em meio à doenças reais e imaginárias, nossa Elsa, intensa e atrevida, assedia o seu vizinho viúvo até que aos poucos ele se contagia pela vivacidade dela. Alfredo, um senhor tão correto, passa a ter atitudes estranhas aos olhos da filha e até aos seus próprios. A paixão vai chegando sorrateira e o ápice do filme é a viagem à Roma para reviverem as cenas da Fontana de Trevi entre Anita Ekberg, com que Elsa dizia parecer em sua juventude, e Marcello Mastroianni. Até um gato ele tem que conseguir para compor o cenário.
Belo e repassado de poesia, este filme sempre me lembra que deixar-se tocar pela vida e ser apaixonado por ela não necessariamente é coisa exclusiva para jovens...
sábado, 12 de março de 2011
A Banda, o filme

Um de meus portais favoritos sempre foi o cinema. Quando digo portal é o que nos leva à uma nova dimensão interna, extensões desconhecidas que acessamos com uma imagem, um diálogo, uma história...
Nestes dias chuvosos de Matutu, com trilhas e cachoeiras um tanto complicadas, a saída foi nos voltarmos para a Sétima Arte. Criou-se o inegualável Festival Simba de Cinema. Numa sala improvisada, com tela e tudo o mais, fomos salvos da claustrofobia cinza por belas imagens de lugares longínquos.
O primeiro filme a ser exibido foi " A Banda", uma produção franco israelense de 2007, que retrata a visita de uma banda militar egípcia a Israel para tocar num Centro de Cultura Árabe. Como ninguém os recebe na chegada, com todas as dificuldades de comunicação tentam chegar ao local da apresentação por conta própria e acabam parando numa cidade perdida no meio do deserto.
Fugindo do lugar comum da animosidade entre árabes e israelenses, o filme passa a tratar dos encontros humanos, das diferenças e sobretudo, das semelhanças que nos unem. A língua usada para se comunicarem é um inglês que, por vezes, não dá conta daquilo que só se pode dizer na língua materna. Até por isso, o não dito é o que sobressai. Com uma sensibilidade ímpar o diretor passeia pelas possibilidades e impossibilidades dos personagens, trazendo à luz as pequenas transformações no percurso.
É ao mesmo tempo muito divertido, com cenas hilárias, e comoventemente dramatico por desvelar que a condição humana é perpassada por "toneladas de solidão".
Mereceu o prêmio do Festival. O osso de ouro.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
A outra face da raiva

Existem alguns filmes despretensiosos que podem nos fazer refletir sobre como levamos nossas vidas. Este é um dos meus preferidos. Joan Allen, uma mulher tranquila e
equilibrada, se depara com o desaparecimento de seu marido. Acredita que ele tenha fugido com a amante. Sofre, a partir desta certeza, uma forte transformação emocional tornando-se raivosa e amarga. Passa a atormentar as quatro filhas fazendo de suas vidas um inferno.
Surge na história um vizinho charmoso mas complicado que com ela tenta um romance. Impossibilitada por sua ira de mulher abandonada não consegue curar suas feridas e refazer a vida com o bonitão Kevin Costner.
O final é surpreendente e nos faz questionar sobre quais certezas construímos nossos mundos. Vale a pena conferir.
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