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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Atalho


Como amo livros e histórias tenho meus "fornecedores". Ganhei, estes dias, uma preciosidade de uma queridíssima amante de livros: minha nora.  Aqui o mestre contador de histórias, Idries Shah, faz uma compilação de contos sobre este maravilhoso e estranho personagem sufi, Nasrudin.










O ATALHO

Andando para casa numa maravilhosa manhã, Nasrudin achou que seria uma boa ideia pegar um atalho pelo bosque. "Por que", perguntou a si mesmo, "caminhar por uma estrada poeirenta quando posso estar em comunhão com a natureza, escutar os pássaros e olhar as flores? Este é , de fato, um dia especial, um dia para empreendimentos afortunados".
Assim dizendo, ele se lançou bosque adentro. Não havia ido muito longe, entretanto, quando caiu num fosso, onde ficou deitado refletindo.
" Não é um dia tão afortunado, afinal", meditou. "Na verdade, ainda bem que peguei esse atalho. Se coisas assim podem acontecer num cenário bonito como esse, o que não teria me acontecido naquela estrada abominável?!"

Shah, Idries - As façanhas do incomparável Mulá Nasrudin - Rio de Janeiro: Roça Nova, 2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Juiz Nasrudin

Este é um personagem que sempre traz ensinamentos de formas inesperadas e nos faz rir de nossas obscuridades...

O Juiz Nasrudin

Quando o mullah Nasrudin era o juiz de seu vilarejo, uma figura desgrenhada entrou no tribunal, exigindo justiça.
- Fui emboscado e roubado, logo na saída desta vila. Alguém daqui deve ser o culpado. Exijo que encontrem o criminoso. Ele levou minha túnica, minha espada e até minhas botas.
- Deixe-me ver - retrucou o mullah - Ele não levou a sua camisa, que você ainda está vestido.
- Não, minha camisa ele não levou.
- Nesse caso, o criminoso não é desta vila. As coisas são feitas por inteiro aqui. Não poderei investigar o seu caso.

Histórias da alma; Histórias do coração: parábolas e narrativas do caminho espiritual e na contemporaneidade. São Paulo, Pioneira, 1994.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nasrudin e seu varal

Mais uma história engraçada de nosso querido Nasrudin....


O VARAL

Um vizinho bateu à porta do Nasrudin e pediu:

- Nasrudin, você me empresta seu varal? O de lá de casa quebrou.

- Um momento, disse Nasrudin - vou perguntar à minha mulher.

Momentos depois Nasrudin voltou e disse para o vizinho:

- Desculpe vizinho, mas não vou poder emprestar o varal. Minha mulher está secando farinha nele.

O vizinho, surpreso, exclamou:

- Mas Nasrudin, secando farinha no varal??!!

E Nasrudin respondeu:

É... quando não se quer emprestar o varal, até farinha se seca nele...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Nasrudin dá ouvidos a conselhos

Nosso personagem mais divertido descobre os perigos de ouvir conselhos indiscriminadamente




Os Melhores Conselhos


Nasrudin começou a construir uma casa : seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mullá estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.
Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.
- Que curioso! - disse Nasrudin - e contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nasrudin e a justiça divina

Outro dia minha grande amiga Bia do blog http://ofemininoeosagrado.blogspot.com/ me contou um episódio de Nasrudin que eu ainda não tinha ouvido.

A Justiça de Deus




Certo dia  Nasrudin chegou à praça com dez bananas para distribuir entre  dez crianças. Tarefa fácil e prevísivel. Consultou os presentes se deveria fazer a divisão pautado pela justiça dos homens ou pela justiça de Deus. Todos unanimemente responderam que deveria sempre seguir a justiça de Deus que é maior do que tudo. Nasrudin assentiu e deu quatro bananas para um , três para outro, duas para mais uma criança , uma para outra e se foi satisfeito pelo caminho.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um conselho de Nasrudin


Talvez os pais de hoje em dia deveriam seguir este conselho...

Quando dar e quando receber



Nasrudin passeava pelo mercado, quando um homem se aproximou.
- Sei que és um grande mestre sufi – disse. – Hoje de manhã, meu filho me pediu dinheiro para comprar uma vaca; devo ajudá-lo?
- Esta não é uma situação de emergência. Então, aguarde mais uma semana antes de atender o seu filho.
- Mas tenho condições de ajudá-lo agora; que diferença fará esperar uma semana?
- Uma diferença muito grande – respondeu Nasrudin.
- A minha experiência mostra que as pessoas só dão valor a algo quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não conseguir o que desejam

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nasrudin aprende a falar com Deus

Vale a pena aprender esta lição...


Nasrudin, certa vez, estava sem um burrico que o ajudasse em seus afazeres.
Desesperado, sem ter meios de encontrar um, começou a orar, pedindo a Deus que lhe enviasse um burrico. Rezou por algum tempo e, certo dia, ao andar por uma estrada, deparou-se com um homem montado num burrico e atrás levava um outro burrico mais jovem. Nasrudin aproximou-se do homem e este lhe disse:
- Mas que vergonha, eu estou trazendo um burrico de tão longe, estamos todos esgotados, e aqui está este homem descansado, sem fazer nada!
E ameaçando-o com uma espada, completou:
- Vamos! Coloque o burrico nas suas costas e venha comigo até a próxima cidade!’
Nasrudin, com medo não disse nada, simplesmente colocou o burrico em suas costas e seguiu o homem. Andaram por várias horas e Nasrudin estava exausto de tanto peso. Ao entardecer, chegaram na cidade mais próxima e o homem simplesmente fez Nasrudin descer o burrico das suas costas e seguiu adiante, sem sequer agradecer.
Nasrudin ergueu os seus olhos para o céu e disse:
- Está bem, Deus. Aprendi a
  minha lição. Na próxima vez serei mais específico...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nasrudin vive de pão e ervilhas

O homem sábio nos mostra que tudo é uma questão de escolha e princípios...


Nasrudin estava sobrevivendo de uma dieta miserável de ervilhas e pão. Seu vizinho, que também se dizia um homem sábio, morava num palacete e deliciava-se com refeições suntuosas oferecidas pelo próprio Imperador.
Um dia o vizinho interpelou Nasrudin:
- Se você ao menos aprendesse a bajular o imperador e ser subserviente como eu não precisaria viver de ervilhas e pão.
- E se você ao menos aprendesse a viver de ervilhas e pão como eu não precisaria bajular e ser subserviente ao imperador - respondeu Nasrudin

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nasrudin responde...

Nasrudin pode parecer sábio, pode parecer tolo. Depende...




Nasrudin estava cortando lenha na beira da estrada. Depois de algum tempo, um homem veio pela estrada, caminhando na direção da cidade mais próxima, e perguntou a Nasrudin:
- Quanto tempo levarei até chegar a próxima cidade?
Nasrudin ouviu mas nada disse. Por isso o homem, em voz mais alta, insistiu:
- Quanto tempo levarei para chegar até a próxima cidade?
Mas Nasrudin continuou em silêncio. Dessa vez o homem gritou, indignado:
- Quanto tempo levarei para chegar a próxima cidade?
Como Nasrudin continuasse mudo, o homem chegou à conclusão de que ele era surdo; e assim se pôs a caminhar depressa no rumo da cidade. Nasrudin observou-o a caminhar por uns instantes e de repente lhe gritou:
Uma hora!
- Por que não me disse isso antes? - Desabafou-se o zangado viajante.
- Porque eu primeiro precisava conhecer a velocidade que você caminha - respondeu Nasrudin.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nasrudin dá esmolas...

Nosso querido personagem mostra verdades ocultas da alma...


A luta dos cegos 


Certa manhã, quando dirigia-se ao mercado, Nasrudin viu alguns cegos e,
fazendo tilintar as moedas em sua bolsa, disse em voz alta:
- Amigos, amigos, peguem estas moedas. Tu, toma esta, tu, esta, e vocês
repartam o resto - e enquanto fazia isso, fazia tilintar as moedas em sua
bolsa.
É evidente e seria até demais esclarecer, que não repartiu um só tostão.
Produzida a cena, afastou-se para observar a seguinte situação: Os cegos
começaram a precipitar-se uns sobre os outros, exclamando e gritando: " deu
tudo para ti". Ou então:" Vocês ficaram com tudo ao invés de repartir". Ou:
" Eu nada recebi", " mentes", " dá-me a minha parte", etc. etc.
Isso transformou-se em empurrões, socos, chutes, insultos, xingamentos,
terminando em uma grande batalha indescritível, dada a cegueira total
reinante.
Nasrudin, que seguia de perto as peripécias da batalha, murmurou:
- Isto é o que poderia chamar-se de uma " uma luta de cegos por motivo inexistente".

inexistente".

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Como Nasrudin aprende


Mais uma vez nosso querido mestre transborda sabedoria...
APRENDIZADO


"Como foi que você aprendeu tanto, Mullá?", perguntaram certa vez a Nasrudin.

"Falando muito", respondeu ele.

"Vou colocando em seqüência todas as palavras que me vêm à mente. Quando eu fico interessante, posso ver o respeito no rosto das outras pessoas. Na hora em que isso acontece, começo a tomar nota do que disse".

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mais um sermão de Nasrudin


Mais uma vez nosso querido personagem surpreende na hora de transmitir seus conhecimentos...


QUEM SABE CONTA PRA QUEM NÃO SABE

Os moradores da vila onde Nasrudin morava pediram a ele que fizesse um sermão na mesquita. O objetivo era testar sua sabedoria, já que ele era visto como uma espécie de homem santo. Nasrudin concordou. Andou calmamente até a mesquita, olhou para a multidão e perguntou: 
– Vocês sabem o que eu vou dizer?
– Não, responderam.
– Eu me nego a falar para uma platéia de ignorantes, disse ele. E foi embora pra casa.
Os moradores ficaram vexados e formaram uma comissão para convencer o Mullá a ir de novo à mesquita. Na sexta seguinte, ele voltou e repetiu a pergunta. Dessa vez a platéria respondeu em uníssono. 
– Sabemos.
– Então não há motivo para eu estar aqui, disse Nasrudin.
Novamente, os moradores se organizaram e conseguiram convencer o Mullá a fazer a terceira tentativa. Mas dessa vez, os moradores estavam preparados. Quando Nasrudin repetiu a pergunta, uns disseram que sim e outros disseram que não.
– Excelente, disse o Mullá. Quem sabe conta para quem não sabe

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Anúncio de Nasrudin

Este querido personagem apronta mais uma...

O Anúncio

Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:
" Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade? Verdade sem falsidade? Realização sem esforço? Progresso sem sacrifício?"
Logo juntou um grande número de pessoas, todas gritando em coro: " Queremos, queremos!"
"Excelente!", disse o Mullah. "Era só para saber. Podem confiar em mim. Contarei a vocês tudo a respeito, caso algum dia venha a descobrir algo assim".

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nasrudin e sua eterna sinceridade

Nasrudin, com sua espantosa autenticidade, que parece beirar a tolice, sempre surpreende...


Certo dia, um juiz perguntou ao mestre Nasrudin:
- Mestre, no caso de você ter de escolher entre a justiça e o dinheiro, o que você escolheria?
- O dinheiro, é claro - respondeu Nasrudin, sem pestanejar.
- O quê! - disse o juiz. Pois eu escolheria a justiça sem pensar duas vezes, porque
a justiça não é fácil de ser encontrada, enquanto o dinheiro, este não é tão raro assim. Podemos encontrá-lo por aí sem grandes dificuldades. Estou sinceramente espantado com a sua opção, Nasrudin. Não o julgava capaz de uma ambição, sendo um mestre!
- Meritíssimo, cada um deseja aquilo que mais lhe falta! - respondeu tranqüilamente o mestre Nasrudin.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Nasrudin e os tigres


Achei mais histórias de meu querido Nasrudin, no livro " Histórias da Alma, Histórias do Coração". Esta é bem  típica:

Nasrudin e os tigres


  O mullah Nasrudin é ao mesmo tempo um tolo e um homem sábio. Certo dia, ele estava em seu jardim jogando migalhas de pão em torno dos canteiros de flores. Um vizinho que passava por perto parou e perguntou:
- Mullah, por que você está fazendo isso?
- Ah, eu faço isso para manter os tigres afastados - explicou Nasrudin.
- Mas não há tigre algum por perto. Os tigres não habitam esta região.
- Eficaz, não é? - concluiu Nasrudin.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nasrudin e a vontade de Allah

Mais uma despretensiosa história deste mestre tão paradoxal que sempre traz grandes ensinamentos.

A Vontade de Allah



Nasrudin ouviu um homem religioso dizer, no meio de uma conversa:
"Seja feita a vontade de Allah".
E Nasrudin respondeu:
"Ela sempre se faz, qualquer que seja a situação".
"Como pode provar isso?", perguntou o homem.
"É simples. Se a vontade de Allah não fosse feita sempre, a minha seria feita, você não acha?" Questionou Nasrudin.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Se Deus quiser...

Gosto muito deste personagem, ora sábio, ora tolo que sempre nos traz algo a refletir. Esta é uma de minhas favoritas...

Se Deus quiser


Uma noite, Nasrudin comentou com a mulher:
"Se amanhã chover, vou cortar lenha; se fizer tempo bom, vou arar a terra".
Sua mulher advertiu-o: "Diga, 'se Deus quiser', Nasrudin, diga 'se Deus quiser'".
Ele se irritou:
"Porque vou ter que dizer 'se Deus quiser'? Com toda a certeza farei uma coisa ou outra".
No dia seguinte, o tempo estava bom. Nasrudin saiu para arar a terra, mas quando estava prestes a pegar o arado, começou a chover. Pôs-se então a caminho do bosque para que aí cortasse lenha, mas não tardou em cruzar com um homem a cavalo, que lhe perguntou:
"Como se faz para chegar a tal povoado?"
'Não pergunte a mim, não sei", respondeu Nasrudin, e tratou de seguir seu caminho.
Mas o homem ameaçou-o com um chicote e ordenou-lhe:
"Pare ! Vai me levar ao tal povoado".
Nasrudin não teve outro remédio a não ser trocar de rumo. Acompanhou o homem ao povoado que, por sinal era, muito longe dali.
Só pôde voltar para casa já bem tarde da noite. Bateu à porta, e sua mulher, lá de dentro, perguntou cautelosa:
"Quem é?"
"Nasrudin, se Deus quiser!"

terça-feira, 28 de junho de 2011

Nasrudin e a morte

Nesta manhã gelada de inverno paulistano, só Nasrudin para nos trazer um sorriso e aquecer a alma...



 

Como morrer...


Certa vez Nasrudin se viu em grandes apuros. Em uma viagem através de um país extranho foi confundido com um malfeitor foragido da justiça. Foi preso e condenado à morte.
Nasrudin quase não teve tempo de acreditar no que acontecia. Quando enfim percebeu a gravidade da situação, colocou uma forte intuição no sentido de se livrar daquilo. A forma, ele nem imaginava.
Como era comum naquele país, o condenado tinha o direito de satisfazer a sua última vontade.
Quando foi perguntado qual era a sua última vontade, Nasrudin disse:
"Escolher a forma da minha morte!"
O Juiz disse a Nasrudin: "Você foi condenado à morte e a forma como isso se dará não é relevante na questão. De que forma você quer morrer?"
Nasrudin, aliviado, respondeu: "De velho!"

terça-feira, 7 de junho de 2011

O sermão de Nasrudin

O sufismo é uma corrente do islamismo, onde os praticantes buscam uma relação íntima e profunda com o sagrado Acreditam num Deus amoroso com quem se pode ter contato através da união mística. Pode ser visto com uma filosofia de autoconhecimento que busca o sagrado através de diversas práticas, como a dança, a música, as histórias. Como o anseio pelo divino seria uma condição humana, não se prenderia à uma religião específica. Por esta visão são considerados quase heréticos pelos muçulmanos tradicionais. 
As histórias sufis são constante fonte de ensinamento e alimento para a alma.


O sermão de Nasrudin

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita. Ele concordou.Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:
- Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?
- Não, não sabemos
- Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja - disse o Mulla, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.
Desceu do púlpito e foi para casa. Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração. Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:
- Sim, sabemos
- Neste caso não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.
E voltou para casa. Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.
- Sabem ou não sabem?
A congregação estava preparada.
- Alguns sabem, outros não.
- Excelente - disse Nasrudin - então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem.
E foi para casa.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O tolo que era sábio


Mais uma vez nos deparamos com este querido, mas controverso personagem a nos lembrar algo. É necessário refletir...

O Tolo que era sábio

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor.

A história correu pelo condado.

Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:

- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior.

Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros. Nasrudin lhe respondeu:

- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas.

O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque. E acrescentou:

- "Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente".

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